Consagrada como uma Diva de Hollywood, Liz Taylor como era chamada pelos íntimos, veio a falecer nos últimos dias do mês de março do ano corrente. Dona de um belíssimo par de olhos azul-violeta, surgiu na famosa época chamada sétima arte – quando não havia televisões e o cinema reinava absoluto. É através dessa relação que relembramos os momentos magníficos desta atriz e a importância do cinema na moda.
Não é de hoje que a relação cinema e moda acontece, nas décadas de 30, 40 e 50 do século xx o cinema vigorava unânime e trazia além de historias românticas, o brilho e glamour da moda e dos novos comportamentos que assim surgiam nas grandes cidades – os figurinos eram copiados, assim como os gestos, a maneira de fumar, de andar dos atores. Na fase áurea dos musicais de Hollywood, tempo das Love Stories, o cinema foi o ditador da moda mundial. Ele fazia parte da vida das pessoas assim como a televisão se faz hoje e a curiosidade por saber da vida de atores e atrizes era saciada através de revistas que traziam tudo sobre a vida destes artistas assim como o modelo e tecidos semelhantes usados nas peças de sua estrela preferida.
O inicio do cinema foi marcado especialmente por um comportamento particular das mulheres destas épocas: o famoso sex-appeal. Não era assim tão fácil ser uma estrela, ao mesmo tempo em que precisavam passar o “ar” de boa moça tinham de esbanjar sensualidade. Um exemplo clássico que podemos citar foi o suéter usado por Lana Turner no filme They Won't Forget, uma peça discreta e que ao mesmo tempo tinha um decote enorme. Seu efeito foi tão avassalador que Lana entrou para a história do cinema como a garota do suéter, o que logo resultou nos famosos concursos de “Miss Sueter” dos Estados Unidos. Outro exemplo entre tantos, foi Brigitte Bardot, um símbolo que se transformou em fenômeno social, pois tudo que a atriz fazia e vestia virava moda.
Elizabeth Taylor começou no cinema quando criança, teve seu primeiro sucesso em National Velvet, logo ganha o primeiro Oscar com Butterfield 8 e o segundo com Quem tem medo de Virginia Wolff, em 1967. Dona de uma vida conturbada, mas cheia de filmes ricos em enredos e figurinos, Elizabeth foi a pioneira das atrizes mais bem paga por filme (recebeu em Cleopatra um cachê de um milhão de dólares) e pelas suas ações filantrópicas, foi casada 8 vezes, foi a rainha do cinema e das jóias – em cada aparição desfilava uma peça mais bela e ousada que a outra. No primeiro Oscar usou lindos brincos de diamantes e pérolas em platina, já no segundo surgia avassaladora com um conjunto de esmeraldas (Bvulgari), acabou ficando marca registrada da estrela, seu gosto pelas jóias: publicou-se um livro com imagens e histórias das jóias da atriz, um leilão de uma parte delas e a criação de uma marca própria – House of Taylor.
Lembrando as palavras de Edith Head (uma das maiores figurinistas da história de Hollywood): “A moda é uma linguagem. Alguns sabem aprendê-la, outros jamais conseguirão mexer com ela”. Uso-me destas palavras para colocar que a moda lançada por atores e atrizes nem sempre foi fruto do acaso ou de idéias geniais, mas sim, sinônimos de modismos. Foi Edith Head quem desenhou o vestido em saia de tule e tomara-que-caia usado por Taylor no filme Um lugar ao sol. Acima de tudo, além de figurinos, formas ousadas e gestos fabulosos, há e havia algo que somente as estrelas possuem, e se deve à força de sua imagem. Como disse o escritor Joca Reiners Terron, sobre Elizabeth Taylor: “Apesar de ser uma mulher belíssima, ela nunca encarnou o papel de ‘namoradinha de Hollywood’. Pelo contrário, tinha a força de uma heroína no cinema e fora do set era uma mulher muito inteligente, uma negociadora implacável de contratos - isso também fez de Liz Taylor a encarnação da estrela de Hollywood; um misto de beleza, talento e sagacidade”.






















































